Introdução: O presente trabalho é o resultado de uma atividade realizada em sala de aula junto aos graduados do Curso de Letras, cujo objetivo foi auxiliá-los, propondo-lhes práticas de ensino de leitura que incentive e leve o educando da educação básica e interessar-se pela leitura. Considerando que, ele não gosta de ler, torna-se necessária a colaboração do professor, como incentivador e motivador do hábito de ler.
Pressupostos teóricos
Dentre os pressupostos teóricos utilizando para a realização da atividade, com foco na formação do leitor reflexivo e crítico, apresentou-se aos graduados textos de Isabel Sole, João Wanderley Geraldi e Antoni e Antoni Zabala. Todos os textos enfatizam a pesquisa – ação como muito importante para qualquer atividade. Geraldi se refere ao afastamento do aluno à leitura da seguinte maneira:
“A rejeição e o afastamento do aluno com o texto literário são causados pela desconsideração da leitura escola com as práticas sociais de leitura, e conseqüentemente levando o educando ao veto à fruição na leitura e a formação do gosto literário”. (Geraldi, 2003, p 35).
Isso acontece quando a escola não cumpre com seu objetivo sobre o trabalho de leitura. Ignorando-se que quando o aluno chega à escola, já é um “bom” leitor de mundo.
Marisa Lajolo (2000) fala sobre este tipo de leitor, com muita despreza em sua obra “Do mundo da leitura para a leitura do mundo”. Segundo ela, a leitura depende tanto do conhecimento que o aluno, quanto da capacidade que o autor tem de seduzi-lo.
Desta forma, não se pode ignorar o conhecimento que o aluno trás de outros meios. Escolhendo para eles os livros que deva ler.
Concordando com Lajolo, Zabala (2002) enfatiza a impossibilidade de se ensinar sem nos determos aos referenciais de como o educador aprende.
Percebe-se com isso, que o professor ao ignorar o conhecimento prévio do aluno, não refleti sobre suas ações no cotidiano escolar, e desconhece que, por meio da leitura de mundo feita pelo educando desde sua infância tenha-o feito adquirir novas informações.
Solé (1998) talvez por isso, tenha definido o ato de ler textos verbais como compreensão da língua escrita e a leitura de textos não verbais como leitura de imagem.
Professora do Curso de Letras da FAI, graduada em letras pela Faculdade de Filosofia e Letras de Bebedouro em São Paulo e Pós-graduada em Docência para o Magistério Superior na FAI.
De qualquer forma, para se ler adequadamente precisa-se ter habilidades decodificadoras, bem como saber colocar nossos objetivos junto ao texto que está sendo lido.
Como se pode perceber, as idéias de Geraldi, Zabala, Solé e Lajolo, a importância da leitura para a formação do educando da educação básica só será possível se houver a interação entre os elementos textuais, o conhecimento de mundo do leitor e a mediação do professor que refleti sobre suas ações. Portanto, quanto maior for à concordância entre eles mais provável será o êxito no incentivo e gosto pela leitura.
Metodologia do trabalho
Considerando-se que as maiorias dos participantes já trabalham na área da educação, acreditou-se que seriam conhecedores das estratégias adotadas para um bom ensino. Pediu-se que fizesse uma auto – avaliação de suas atividades do cotidiano escolar. Baseado no que Zabala (2003) destaca como procedimentos conceituais (o que se deve aprender), procedimentais (o que se deve fazer) e atitudinais (como se deve ser). Bem como, nas estratégias de leitura enfatizada por Solé: Leitura superficial: obriga o aluno ler o texto superficialmente, selecionando as partes interessantes para ele, em suma, conhecer o texto; Leitura compreensiva: é momento em que o leitor presta mais atenção ao que ler. Busca construir significado e compreender o texto por meio de levantamento de hipóteses, inferências, etc. O aluno procura no texto informações implícitas; Leitura avaliativa: refere-se ao momento que as perspectivas levantadas não são confirmadas. Cabe então ao leitor repensar as hipóteses, construir outras a retomar as partes anteriores. A leitura avaliativa na verdade, é a busca por respostas exatas e não, avaliar se a leitura foi bem feita ou não.
Com base nas informações coletadas e nas leituras teóricas, os graduados preparam-se para as atividades iniciais de auto-avaliação, levantamento de hipóteses sobre as dificuldades dos alunos e finalmente para o debate. No qual foi debatido dentre os outros assuntos o resultado da coleta de dados.
Os resultados apresentados foram:
-30% dos alunos lêem mais não compreendem;
-20% não lêem por motivos diversos;
-15% intimidados por outros professores não conseguem ler;
-15% dificuldades para falar em público;
-05% não sabem ler adequadamente e escrevem mal;
-15% lêem adequadamente;
Considerações finais:
Baseando-se nos resultados apresentados, percebeu-se que por meio das atividades com foco na formação do leitor reflexivo e crítico e no professor que avalia sua prática pedagógica, observando suas ações antes, durante e depois que as atividades de leitura, tanto do aluno como do professor. O trabalho deve ser em conjunto, de maneira que o sucesso (o gosto de ler) de um prêmio (incentivo) de outro. Pois, a necessidade de se fazer à distinção entre ler e aprender a ler, bem como a auto - avaliação do professor sobre suas ações só tendem a contribuir para a aprendizagem de ambos.
Portanto, a importância da leitura para a formação do educando da educação básica, baseia-se numa tarefa permanente de aprendizado entre professor e aluno. Por isso, a aprendizagem da leitura não se restringe unicamente ao papel de professor e aluno separadamente, mas, em conjunto.
Referências Bibliográficas:
GERALDI, João Wanderley: O texto na sala de aula. Ática, São Paulo. 1997.
LAJOLO, Mariza. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. Ática, São Paulo. 2000.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Artmed, Porto Alegre. 1998.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: Como ensinar. Artmed, Porto Alegre.