1-Introdução
Muito se tem falado que a escrita dos estudantes brasileiros é deficiente, mas poucas são as pesquisas voltadas ao processo de leitura e seu desenvolvimento. Sabe-se, contudo, que leitura e escrita são fatores indissociáveis, ou seja, quem lê mal objetivamente não pode escrever bem.
Nesse sentido, faz-se necessário que se abram espaços para discussões acerca do hábito de leitura nas escolas e em particular entre outros alunos que freqüentam os cursos de ensino superiores, para que se possa entender melhor que tipo de intelectuais está se formando nas nestes ambientes, e a quem é delegada a responsabilidade de preparar esses indivíduos para a sociedade.
Desse modo, não é preciso ir muito longe para se verificar que há negligência dos sistemas educacionais, quando se trata de trabalharem de maneira geral só se fala em escrita sem se preocupar com a qualidade da mesma.
2. Leitura frente aos desafios atuais
Sabe-se que a leitura é um dos principais meios de transmissão do conhecimento utilizado na escola, mesmo assim, muitos jovens chegam aos cursos superiores sem saber ler corretamente e o pior, com uma imaturidade cultural gritante em detrimento a essa deficiência. Nessa concepção afirma Rodrigues (200, pg.39): “bons hábitos de leitura devem ser formados desde cedo, pois são importantes para o desenvolvimento das relações produtivas com o saber e garantem maior facilidade na aprendizagem”. Cabe ressaltar, que o ambiente escolar deve oferecer oportunidades para que os discentes exercitem sua imaginação e capacidade criativa, pois para atingir melhores resultados nos estudos é preciso dedicação e treinamento das funções, intelectuais dos alunos, e uma das maneiras mais eficientes é o estudo da lectoescrita.
O dever do aluno antes de tudo é compreender os novos conceitos e questionar as suas dúvidas, sendo que geralmente elas aparecem quando se está exercitando a escrita e leitura, pois é lendo os vários sinais, as várias linguagens que se aprende a compreender a realidade de maneira mais abrangente e efetiva.
Cabe lembrar que o grande desafio da educação, hoje, é transformar os discentes em seres capazes e pensantes, construtores do próprio conhecimento, todavia ao que parece a escola não está conseguindo cumprir com sua missão, pois é alarmante o resultado expresso em pesquisa do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), em que se detectou que apenas 1% dos alunos brasileiros do último ano do ensino médio, tenha domínio adequado da Língua Portuguesa. Parindo deste princípio, nota-se que dessa deficiência se encontra na forma de como esses indivíduos foram alfabetizados. Esses dados evidenciam mais uma vez a deficiência e o descanso com que a Língua Portuguesa vem sendo trabalhada nos nas escolas de todo território nacional.
É importante que se enfatize o ensino da leitura e da escrita para que os indivíduos possam apresentar melhores resultados em suas produções. Nesse aspecto comenta Teixeira (2002, p.20) “necessita-se, para produzir qualquer trabalho, desenvolver a técnica da leitura, a mesma envolve a prática de dar significado ao mundo ao qual se está inserido”.
Nessa concepção, é possível questionar, se não seria inadequado da escola quanto aos títulos que se escolhe e quanto à forma de propor a leitura que estaria a distanciar os estudantes do mundo dos livros e das idéias? Obviamente que a escola tem um papel fundamental no que se diz respeito à aproximação dos educandos ao mundo da escrita, porém, o que se observa na prática pelo menos ao que se parece, as instituições escolares estão distanciadas do mundo das palavras do contexto atual quando se prendem às normas da escrita sem construir significado.
Observa-se que a atividade mais freqüente dos estudantes, provavelmente é a aprendizagem pelos livros. Fica claro novamente que a leitura consiste em uma das principais fontes de informação, um verdadeiro acesso à experiência, as emoções e aos conhecimentos que os homens, ao longo da história, registram seus escritos.
Não se pode esquecer que os avanços tecnológicos, também contribuem para que o homem passe a valorizar mais a cultural visual, em uma verdadeira substituição da imagem pela palavra. Para se entender melhor o descaso que a leitura vem sofrendo ao longo dos anos, se faz necessário questionar também o aceleramento do ritmo da vida das pessoas no contexto competitivo e social, onde tempo passa ser dinheiro.
Assim sendo, ao invés do individuo passar horas a fio lendo um livro, ele assiste a um vídeo de alguns minutos e obtém, de certa forma as informações que necessitava, contudo se esquece de que no atual cenário, só terão chance de competir no mercado de trabalho os indivíduos que possuírem o maior capital intelectual, sendo que a maioria das informações ainda se encontra no mundo escrito.
Ainda, como conseqüência da não leitura pode ser mencionada a dificuldade de se exercer a imaginação, além do truncamento do raciocínio abstrato, sem falar no empobrecimento da cultura e a deficiência intelectual.
Outro fator significativo na prática da leitura também deve ser levado em consideração que é “o que se deve ler o tipo de leitura empregado”. Neste sentido, faz-se necessário destacar que, para que alguém de fato venha a se interessar por um determinado tema é necessário que este, esteja escrito de forma coerente e de maneira atrativa, pois bons textos, são decisivos para prender a atenção do leitor. Quanto à forma, existem várias de acordo com Teixeira e Machado (2003), as quais são descritas a seguir:
-Leitura de passatempo: é aquela na qual não se está adquirindo *conhecimento, se é que existe, [grifo nosso] a essa atividade aplica-se a leitura de jornais, revistas e similares que despertem curiosidade sobre determinado tema;
-Leitura informativa: é aquela na qual se busca adquirir informações sobre determinado assunto, neste nível já existe um diálogo entre quem escreveu e quem está lendo, nesta atividade objetiva-se uma ampliação de um aspecto, o escritor provoca uma reflexão no leitor;
-Leitura de compreensão: neste nível o objeto de estudo passa a ser mais técnico, como um livro, por exemplo, a executá-la, o leitor deve estar disposto a compreender o texto como um todo, analisando a semântica do tema com a realidade vivida . Nesta atividade faz-se necessário dedicação e disciplina para que a compreensão do conteúdo seja satisfatória. Sem dúvida esse tipo de leitura exige mais do individuo, contudo é mais instigante e desafiador que os demais.
Faz-se necessário ainda discutir sobre os defeitos da leitura ou vícios de leitura, que devem ser evitados para que a informação seja absorvida ao máximo. Assim sendo, problemas como falta de concentração e de objetivo, falta de técnica de leitura adequada para cada tipo de texto, lê palavra por palavra, lê só um tipo de assunto, podem em muito prejudicar o desempenho e a compreensão exata daquilo que se está lendo, além de fazer com que o individuo em questão perca seu tempo, pois com tais vícios a assimilação do conteúdo será nula.
Sabe-se que leitura e escrita se adquire de forma simultânea e integrada, a compreensão daquilo que se lê de maneira critica, implica na percepção das relações entre o texto e o contexto, porém ainda existe o conceito não correto de que leitura é o simples fato de decifrar códigos lingüísticos. Esta visão contribui para um aumento no quadro do analfabetismo funcional, ou seja, pessoas que apesar de saberem ler, escrever e executar operações aritméticas simples possuem uma notável imaturidade cultural, necessitando assim de uma nova educação que trabalhe a compreensão dos textos lidos.
Neste sentido, é possível afirmar que não basta simplesmente ensinar o discente a ler palavras, é necessário também estimulá-lo para que o mesmo venha a desenvolver o hábito da leitura de palavras e do mundo.
3. Conclusão
Em suma, ler é compreender a realidade através de uma ação criadora, onde leitor e texto se integram em um processo dinâmico e criativo, sendo que o estimulo a tal prática deve ocorrer sob o signo da criatividade a fim de responder as exigências de aperfeiçoamento pessoal. É interessante ressaltar que o objetivo central das escolas e das instituições de ensino superiores é levar os educandos a desenvolverem seus potenciais humanos e a descobrirem o valor cultural e social do ato de ler, compreendendo desta forma a lectoescrita como uma ferramenta de ascensão social.
Para Teixeira (2001, p.22) “a leitura do mundo, como pensava Paulo Freire (1987), precede a leitura da palavra e a leitura desta, implica na continuidade da leitura daquela”. Seguindo este mesmo direcionamento é possível comentar que a sociedade é o resultado da construção da leitura de mundo feito pelos observadores, e as palavras são as ferramentas norteadoras desse processo.
Não se pode esquecer que existem dois mundos paralelos que são: o mundo das palavras e o mundo da escrita, contudo os dois se complementam quando se faz uso da leitura de ambas as partes, o primeiro se consegue na vida em sociedade, mas o segundo só se realiza através dos livros.
Em todo o segmento da vida se faz necessária leitura, seja ela da palavra ou de mundo, pois quando maior a capacidade de interpretação dos fatos e das idéias o aluno possuir, maior será sua chance no mercado de trabalho. Verifica-se também, à medida que aumenta a procura de vagas nas escolas, por outro lado pelo menos ao que parece, diminui o hábito de ler entre os discentes, deixando assim, um alerta aos profissionais da educação: um país sem livros e leitura é um país sem história. Principalmente em uma época em que qualificação é sinônimo de emprego, assim sendo, os profissionais de todas as áreas são obrigados a estarem sempre em busca de aperfeiçoamento de seus conhecimentos, pela leitura adequada e informação.
REFERÊNCIAS
Ministério da educação. Ensino Fundamental. Brasília, 1999.
RODRÍGUES, Fernández Concepción. Aprender a Estudar. São Paulo: Scipione, 2000.
TEIXEIRA, Elson Adalberto; MACHADO, Andréa Monteiro de Barros. Leitura Dinâmica e Memorização. São Paulo: Makron Books, 1993.
TEIXEIRA, Elizabeth, As três Metodologias. 3ª Ed. Belém: Grapel, 2001.
FREIRE, Paulo, Pedagogia do Oprimido. 39ª Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987.
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB).